Como calcular a idade real dos cachorros

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Normalmente, a maioria das pessoas calcula a idade real de seu cachorro multiplicando por 7. Mas a conta não é tão simples assim, existem outros fatores que influenciam na idade real dos cães.

Segundo um estudo realizado pela BBC UK, para calcular a idade de cada cachorro devemos considerar:

  • Cada raça tem uma velocidade diferente de avançar os anos
  • Cada raça demora um tempo diferente em cada etapa da vida (juventude e vida adulta)
  • Cachorros de raça pequena tem um período curto de juventude e uma longa vida adulta
  • Cachorros de raça grande são o oposto, demoram cerca de dois anos para adquirir totalmente sua forma adulta e então, vivem cerca de mais 4 ou 5 anos
  • Cachorros de raças pequenas vivem mais do que cachorros de raças grandes

Para calcular a idade real dos cães utilize esses multiplicadores:

Para os dois primeiros anos de vida:

Cachorros pequenos: multiplicar cada ano por 12,5

Cachorros médios: multiplicar cada ano por 10,5

Cachorros grandes: multiplicar cada ano por 9

A partir do terceiro ano de vida, acrescentar mais essa multiplicação:

Cachorros pequenos (multiplicar cada ano por): Lhasa Apso 4,49 / Shih Tzu 4,78 / Chihuahua 4,87 / Beagle 5,20 / Cocker Spaniel 5,55 / Pug 5,95 / Buldogue Francês 7,65

Cachorros médios (multiplicar cada ano por): Labrador Retriever 5,74 / Golden Retriever 5,74, Staffordshire Bull Terrier 5,33

Cachorros grandes (multiplicar cada ano por): Pastor Alemão 7,84 / Boxer 8,90

O Portal do Dog preparou uma calculadora para facilitar. Basta clicar no link abaixo, selecionar a raça ou o tamanho do seu cachorro e calcular.

http://goo.gl/IiFc8z

Fonte: @PortaldoDog on Twitter | portaldodog on Facebook

Mapeamento genético da laranja ajuda a entender produção de vitamina C

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Conselho de Informações sobre Biotecnologia

Uma equipe de cientistas da Agência de Singapura para a Ciência e da Universidade de Agricultura Huazhong, na China, concluiu o sequenciamento do genoma da laranja. O estudo foi publicado na revista  Nature Genetics.

Com essa descoberta, os pesquisadores pretendem estudar a planta para entender como se dá a produção de vitamina C – um dos nutrientes mais importantes da laranja. De acordo com a equipe que liderou a pesquisa, a ideia agora é desenvolver uma variedade mais rica neste composto. A ausência de vitamina C pode causar sérios danos à saúde, como anemia e má formação óssea.Laranja-C-300x200

Além disso, ao compararem as informações obtidas pelo sequenciamento da laranja com o genoma da tangerina, foi revelado que aproximadamente três quartos dos marcadores moleculares são equivalentes. Isso significa que as duas frutas são mais parecidas do que se imaginava.

Fonte: Abril de 2013 – Journal Nature Genetics

A razão de Darwin ter abandonado o criacionismo

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DarwinUm dos sinais de uma teoria científica verdadeiramente revolucionária é o fato de demorar muito para ser aceita pela maioria das pessoas. Foi apenas recentemente que o Vaticano admitiu ter errado na infame condenação a Galileu, em 1633, por sua defesa da teoria de que a Terra gira em torno do Sol. Do mesmo modo, hoje, 150 anos após primeiro serem publicadas, as teorias de Charles Darwin continuam a suscitar hostilidade em muitos países, devido à rejeição por Darwin da idéia de que a vida manifesta um propósito inteligente.

É irônico o fato de que o próprio Darwin, em certa época, esteve fascinado pela teoria de que todas as espécies surgem em função de um design inteligente -a mesma teoria que, mais tarde, ele procurou eliminar da ciência em seu livro “A Origem das Espécies” (1859).

Popularizada no século 17, essa doutrina buscava unir uma celebração da obra de Deus com o estudo da ciência. Esses argumentos alcançaram seu ápice nos escritos do reverendo William Paley, que expôs suas idéias em “Teologia Natural” (1802). As muitas provas que ele apresentou em favor do design inteligente fascinaram e convenceram o jovem Darwin.

beagleO que desencadeou a dramática mudança de opinião de Darwin em relação à origem das espécies foi a viagem de cinco anos que ele fez em volta ao mundo no navio “HMS Beagle”, e, especialmente, sua visita de cinco semanas às ilhas Galápagos em setembro e outubro de 1835. Reza a lenda que Darwin converteu-se à teoria da evolução durante essa visita breve, vivendo algo como um momento “eureca!”. A história real da conversão de Darwin, que só se deu um ano e meio mais tarde, após seu retorno à Inglaterra, nos diz muito mais sobre como a ciência é feita de fato, especialmente sobre como a teoria guia a observação e prepara a mente e como é necessária persistência obstinada para transformar teorias controversas em fatos aceitos.

Durante a permanência de Darwin nas Galápagos, a teoria criacionista o preparou para aquilo que ele observou e compreendeu nas ilhas. Essa teoria também ditou o que ele deixou de observar e compreender. Num primeiro momento, ele esforçou-se com diligência para conciliar com o paradigma criacionista as criaturas novas e estranhas que encontrou naquele arquipélago isolado. Segundo essa teoria, diferentes “centros de criação” explicavam por que a flora e a fauna da Terra diferiam de uma região a outra -ou de um continente a outro. Darwin ainda não se dera conta de que uma parcela do planeta tão minúscula quanto o arquipélago de Galápagos poderia ser, ela própria, um “centro de criação”.

Certos fatos inesperados relativos a Galápagos solaparam a credibilidade de qualquer explicação criacionista daquilo que Darwin, mais tarde, descreveria como “o mistério dos mistérios -o primeiro surgimento de novos seres nesta terra”. Em particular, várias espécies distintas evoluíram ao longo do tempo em cada uma das ilhas do grupo das Galápagos, de acordo com o povoamento dessas ilhas por colonos ocasionais que ali conseguiram chegar desde a América Central ou do Sul. Darwin foi alertado para essa possibilidade pelo vice-governador das ilhas, Nicholas Lawson, que insistiu que “as tartarugas das diferentes ilhas diferem entre elas, e que ele poderá perceber com certeza de que ilha qualquer uma for trazida”.

Num primeiro momento, Darwin não deu atenção às observações de Lawson, ainda tendo a mente dominada pela teoria criacionista. Ela dizia que as espécies podem modificar-se, e se modificam, reagindo aos ambientes locais. Como um elástico que resiste ao ser esticado, qualquer modificação do tipo específico e supostamente imutável que fosse verificada entre as variedades era vista como desvio temporário.

Devido à sua visão criacionista, durante sua estadia nas Galápagos, Darwin não coletou um espécime sequer de tartaruga-gigante para finalidades científicas. Em vez disso, as 48 tartarugas capturadas pelo Beagle na ilha de San Cristóbal foram mais tarde comidas por Darwin e seus companheiros de navio, sendo suas carapaças atiradas ao mar.

Essa mesma mentalidade criacionista ajuda a explicar porque, num primeiro momento, Darwin deixou de compreender o mais célebre exemplo das Galápagos da evolução em ação: os famosos tentilhões de Darwin.tentilhões

Quatorze espécies de tentilhões se desenvolveram nas Galápagos a partir da forma ancestral encontrada nas Américas Central e do Sul. Nos últimos 2 milhões de anos, esse processo de evolução resultou numa radiação adaptativa tão impressionante em nichos ecológicos diversos que algumas dessas espécies não se parecem com tentilhões típicos. Num primeiro momento, Darwin pensou que algumas delas nem sequer fossem tentilhões.

O caso dos tentilhões-das-galápagos confundiu Darwin a tal ponto que, no momento em que capturou os pássaros, ele não se deu conta de que todas as espécies eram estreitamente aparentadas ou que o número de espécies em um grupo de aves poderia resultar do fato de elas terem evoluído em ilhas diferentes. Por isso, ele não fez qualquer esforço para classificar suas coleções ornitológicas por ilha -um erro que lamentou sinceramente mais tarde.

Darwin tampouco teve a oportunidade de observar esses tentilhões de maneira suficientemente detalhada para aperceber-se de que os tamanhos e formatos de seus bicos guardavam relação estreita com suas dietas -um “insight” importante que a lenda equivocadamente lhe atribui.

Apesar de ter estado armado de uma teoria inadequada durante sua estadia em Galápagos, Darwin era um naturalista bom demais para não observar que os quatro espécimes de “mockingbirds” que coletou, cada uma de uma ilha diferente, ou eram variedades ou espécies distintas. Não sendo ornitólogo, Darwin não sabia ao certo como interpretar essa anomalia. Em julho de 1836, nove meses após sua visita às Galápagos, ele refletiu sobre o caso dos “mockingbirds” e recordou o que lhe tinha sido dito sobre as tartarugas:
“Quando vejo essas ilhas visíveis umas desde as outras e possuindo apenas uma quantidade escassa de animais, habitadas por essas aves mas ligeiramente distintas em sua estrutura e ocupando o mesmo lugar na natureza, devo suspeitar de que são apenas variedades … Se existe fundamento para essas observações, então a zoologia dos arquipélagos valerá a pena ser examinada, pois tais fatos enfraqueceriam a estabilidade das espécies.”

A chave para interpretar esse trecho célebre -que aventa a revolução darwinista mas em seguida afasta-se dela- está na frase “devo suspeitar de que são apenas variedades”, premissa que Darwin compreendia ser plenamente coerente com a teoria criacionista.

O que o impedia de dar o passo crucial da ortodoxia científica para a heterodoxia era a ausência de informações sobre a classificação ornitológica correta, algo que só lhe estaria disponível após seu retorno à Inglaterra.

Darwin retornou à Inglaterra em 2 de outubro de 1836. Três meses depois, deixou suas coleções de aves com John Gould, ornitólogo da Sociedade Zoológica de Londres. Gould imediatamente se deu conta da natureza extraordinária dos espécimes colhidos por Darwin nas Galápagos. Em março de 1837, Gould informou Darwin de que três de seus quatro espécimes de “mockingbird” eram espécies distintas, até então desconhecidas da ciência. Gould também informou a Darwin que sua coleção incluía 13 ou possivelmente 14 espécies de tentilhões muito incomuns. De repente, após as análises taxonômicas de Gould, as Galápagos se haviam convertido num “centro de criação” distinto.

As conclusões de Gould parecem ter deixado Darwin estarrecido. Ele rapidamente se deu conta de que, se Gould estivesse certo, a barreira entre as espécies distintas tinha sido de alguma maneira rompida por esses pássaros, isolados nas diferentes ilhas. A evolução gradual graças ao isolamento geográfico era a única explicação plausível, a não ser que se pensasse que Deus, como um jardineiro obsessivo-compulsivo, tivesse ido de uma ilha a outra no arquipélago, caprichosamente criando espécies separadas mas estreitamente aliadas, com a intenção de ocupar os mesmos nichos ecológicos.

Reforçado por uma perspectiva evolutiva da natureza, Darwin foi capaz de enxergar os tentilhões sob uma ótica radicalmente nova. Apenas agora ele passou a compreender a extensão de seu descuido anterior, quando deixou de rotular por ilha a maior parte das aves que trouxera das Galápagos.

Felizmente, Darwin sabia que três outros colecionadores que tinham viajado no Beagle (o capitão FitzRoy entre eles) também tinham coletado espécimes. E todos esses espécimes tinham sido rotulados segundo a ilha de sua procedência. É sintomático que tenham sido os não-cientistas do Beagle, que não eram movidos por uma teoria, como Darwin, que registraram as evidências científicas que Darwin, partindo de uma abordagem criacionista, havia visto como sendo supérfluas.

Darwin passou a entender que o isolamento geográfico era uma parte crucial da resposta quanto a como as espécies se transformam no decorrer o tempo. Mas o isolamento, por si só, não bastava para explicar as adaptações das espécies a seus ambientes locais.

Referência a Malthus

Depois de estudar e rejeitar uma série de hipóteses, Darwin, em setembro de 1838, leu por acaso a edição de 1826 de “Ensaio sobre o Princípio da População”, de Thomas Malthus. Este argumentava que as populações têm a tendência inata a crescer geometricamente. Na natureza, porém, a oferta de alimentos é limitada, de modo que a maioria da prole não sobrevive, sendo morta por predadores, fome e doenças.

Ao ler o livro de Malthus, Darwin se deu conta imediatamente de que, na eterna luta pela sobrevivência, variações ligeiras benéficas tenderiam a ser naturalmente selecionadas, levando à sobrevivência maior e, com isso, a um aumento nas características adaptativas, do mesmo modo em que o criador de animais domesticados obtém características desejadas selecionando as qualidades valorizadas nos animais. “Aqui, então, finalmente encontrei uma teoria com a qual trabalhar”, observou Darwin em sua “Autobiografia”. Ali, também, estava uma resposta digna de crédito a William Paley. Darwin percebeu que a seleção natural não era outra coisa senão o “projetista” de Paley.

Olhando através da lente poderosa da evolução pela seleção natural, Darwin então começou a reexaminar as premissas básicas do criacionismo e a comparar as previsões que se fariam com base nessas duas teorias radicalmente distintas.

Quanto mais extenso se tornava seu reestudo, mais ele foi compreendendo que o design inteligente era contradito de maneira avassaladora pelas evidências disponíveis. A reavaliação feita por Darwin atingiu seu ápice 22 anos mais tarde com “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural”, livro que o próprio Darwin descreveu, corretamente, perto de seu final, como “um só longo argumento”. Era igualmente um argumento contra o criacionismo e, especialmente, contra o design inteligente.

As evidências relativas à distribuição geográfica, especialmente das ilhas oceânicas e suas relações biológicas com os continentes mais próximos, desempenham papel substancial no argumento de Darwin.

As ilhas Galápagos, por exemplo, abrigam várias espécies de animais e plantas estreitamente aparentadas com as do vizinho continente americano; no entanto, as características ambientais dessas ilhas não se assemelham em nada às das partes mais próximas do continente, que são tropicais.

Contrastando com isso, o árido ambiente vulcânico das Galápagos se assemelha estreitamente ao das ilhas de Cabo Verde, a 650 km da África. No entanto, a flora e a fauna de Cabo Verde guardam mais semelhança com espécies que vivem no continente africano, não com as das Galápagos. Por que um possível projetista inteligente, indagou Darwin, colocaria dois carimbos criativos completamente diferentes -um africano e outro americano- sobre espécies que vivem em ambientes quase idênticos e ocupam nichos ecológicos semelhantes? Não fazia sentido.

origensComo Darwin trabalhou durante 20 anos sobre rascunhos da obra que acabaria virando “A Origem das Espécies”, ele conseguiu explicar o mundo natural de uma maneira como ninguém nunca fizera antes. Em última análise, o que sua transformação de criacionista em evolucionista revela sobre ela -e sobre a ciência, de modo mais geral- é que a melhor ciência é feita a serviço de uma teoria realmente boa.


FRANK J. SULLOWAY é historiador da ciência, estudioso de Darwin e professor visitante do Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia em Berkeley. Em 1968, refez a viagem do Beagle para produzir um documentário. Este texto foi primeiro publicado, em formato diferente, pela Vintage Books em “Intelligent Thought”, editado por John Brockman

Terra se aproxima de maiores temperaturas em 11 mil anos

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Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon e da Universidade Harvard, ambas nos EUA, reconstruiu a temperatura média da Terra nos últimos 11,3 mil anos para compará-la aos níveis atuais.

A boa notícia: a Terra hoje está mais fria do que já esteve em sua época mais quente desse período. A má: se os modelos dos climatologistas estiverem certos, atingiremos um novo recorde de calor até o final do século.

O trabalho, publicado na revista “Science”, reuniu dados de 73 localidades ao redor do mundo para estimar a temperatura global (e local) no período geológico conhecido como Holoceno, que começou ao final da última era do gelo, há 11 mil anos.

Depois de consolidar todas as informações, em sua maioria provenientes de amostras de fósseis em sedimentos oceânicos, num único quadro –além de usar técnicas matemáticas para preencher os “buracos” encontrados nas diversas fontes usadas para estimar a temperatura no passado–, os cientistas puderam recriar uma “pequena história da variação climática da Terra”.

Diz-se pequena porque os resultados não permitem enxergar a variação ocorrida em uns poucos anos. É como se cada ponto nos dados representasse a temperatura em um período de 120 anos.

A HISTÓRIA

Os dados confirmam uma velha desconfiança dos cientistas: a de que a Terra passou por um período de aquecimento que começou cerca de 11 mil anos atrás. Em 1,5 mil anos, o planeta esquentou cerca de 0,6ºC e assim se estabilizou, durante cerca de 5.000 anos.

Então, 5,5 mil anos atrás, começou um novo processo de esfriamento –que terminou há 200 anos, com o que ficou conhecido como a “pequena era do gelo”. O planeta ficou 0,7ºC mais frio.

Entram em cena a industrialização acelerada e o século 20. O planeta volta a se esquentar. No momento, ele ainda não bateu o recorde de temperatura visto no início do Holoceno, mas já está mais quente que em 75% dos últimos 11 mil anos.

Assim, o estudo confirma que a temperatura da Terra está subindo em tempos recentes e mostra que a subida é muito mais rápida do que se pensava.

“Essa pesquisa mostra que já experimentamos quase a mesma faixa de mudança de temperatura desde o início da Revolução Industrial que foi vista nos 11 mil anos anteriores da história da Terra –mas essa mudança aconteceu muito mais depressa”, comenta Candace Major, diretor da divisão de Ciências Oceanográficas da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, que financiou o estudo.

Por outro lado, a baixa resolução temporal do estudo (é impossível distinguir efeitos de poucos anos) dificulta a comparação com o atual fenômeno de aquecimento.

Para a mudança climática atual se tornar relevante na escala de tempo analisada pelo modelo de reconstrução dos últimos 11 mil anos, ela precisa continuar no próximo século. Segundo os modelos do IPCC (Painel Intergovernamental para Mudança Climática), da ONU, é isso que vai acontecer.

Contudo, ainda há incertezas sobre a magnitude do fenômeno. De toda forma, mesmo pelas estimativas mais otimistas, quando chegarmos a 2100, se nada for feito, provavelmente estaremos vivendo o período mais quente dos últimos 11 mil anos.

(Salvador Nogueira –  Folha de São Paulo)

O mundo assombrado pelos demônios

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Por Ulisses Capozzoli

O temor provocado por um alardeado fim do mundo, no próximo dia 21 de dezembro (solstício de verão no hemisfério sul), talvez seja a evidência mais clara da impotência da ciência em sensibilizar a sociedade humana para um olhar além da miséria filosófica e do sofrimento dispensável. Ao menos para parcelas significativas da população mundial.

Na verdade, não se trata da impotência apenas da ciência, mas também do jornalismo, enquanto possibilidade (de participar) da construção de uma cidadania contemporânea, no sentido da convivência crítica com fatos que vão de navegações que extrapolam o Sistema Solar, passando por paradoxos na mecânica quântica (emaranhamento quântico e relatividade restrita, por exemplo) e conquistas surpreendentes na genética, entre outros campos do conhecimento.

Ao que tudo indica, estamos vivenciando uma experiência de retorno de conteúdos arcaicos, típicos da era pré-científica, quando os demônios tinham o inteiro controle da situação e, de tempos em tempos, castigavam os humanos com relatos e previsões os mais horrendos em que se podia pensar.

Porque isso está ocorrendo agora, mais uma vez, é um fato que procede da complexa dinâmica da máquina do mundo. De imediato, no entanto, pode-se dizer que, até às vésperas da publicação da gravitação universal por Isaac Newton (1686), a igreja católica obtinha ganhos com essa mesma atuação terrorista.

Antes de Newton, com frequência, quando aparecia um cometa no céu, os padres badalavam os sinos de suas paróquias e trombeteavam o “fim do mundo”. Os homens ricos, com a consciência pesada pela maneira como haviam acumulado suas fortunas, corriam então às igrejas e faziam suas doações, como forma de aplacar os pecados e assim livrar-se das chamas eternas que crepitavam no inferno, renovadas pelo ardor da Inquisição. O mundo estava para acabar, mas, ainda assim, as ofertas eram aceitas. Os pobres, como os ricos, também gemiam seus pavores entre os (poucos) dentes, mas, açoitados a cada dia pela miséria, quase mais nada tinham a perder.

Pela altura em que Newton publicou sua gravitação universal, um estilo literário, as “narrativas fantásticas” corriam o mundo. Eram o espelho da mentalidade da época. Nesses registros estava incluído o conceito de um mundo em forma de bacia, de que navegantes mais ousados − aventurando-se no que os portugueses chamaram de “mar-oceano” − podiam cair, precipitando-se no caos e na degeneração.

Nesses relatos era comum a descrição de criaturas com corpos humanos e cabeça de animais, como cães, touros e serpentes. As descrições geográficas das terras que abrigavam esses seres eram as mais exóticas e inconsistentes, mas, ainda assim, tomadas como um contínuo da realidade.

Foram os portugueses os primeiros a refutar esse obscurantismo febril que marcou a longa noite da Idade Média, a partir do século 4, com o apagamento da cultura greco-romana, até um conjunto de datas irregulares espalhadas pelo Ocidente. Pedro Nunes (1502-1578), D. João de Castro (1500?-1548) e Garcia de Orta (1501-1568) foram alguns dos responsáveis por essa glória portuguesa, sem reconhecimento difundido além de Portugal, e praticamente ignorada no Brasil.

Frequência dos cometas

Em relação aos cometas, desde sempre astros de mau agouro, no passado eram mais frequentes no céu. Não por um fenômeno de natureza cosmológica, mas porque as noites ainda não eram ofuscadas pela poluição luminosa, abastecida pela energia elétrica. As populações eram majoritariamente rurais. E o céu era o relógio natural que regulava o ritmo da vida.

Com a publicação da gravitação universal, até recentemente acreditávamos que Isaac Newton − além de explicar a queda da maçã, a órbita da Lua e do sistema Terra-Lua em torno do Sol − também havia dado um chute definitivo no traseiro dos demônios, abrindo o espaço mental humano para a beleza e a ordem da ciência.

Agora, o retorno da ideia do fim do mundo, com suposta base em um antigo calendário maia, recheado por um conjunto de absurdos e despropósitos, sugere que as coisas, lamentavelmente, não ocorreram assim.

Neste momento, relatos procedentes de diversas regiões do mundo mostram temor e medo que não combinam em nada com o pretenso cientificismo do século 21, marcado por um fluxo de informação praticamente em tempo real, e inédito na história da civilização.

Ao longo da Idade Média, para se ter uma ideia da contraposição, mesmo os correios, criados no Egito três mil anos antes, cessaram seu funcionamento e a correspondência foi um luxo restrito às casas reais e ordens religiosas.

Mas talvez sejam exatamente a velocidade e profundidade com que as mudanças ocorreram nesse momento da história as responsáveis pelo retorno de conteúdos arcaicos como o que prega, mais uma vez, o fim do mundo. Um substrato mental mágico, que prescinde da racionalidade e compensa, patológica e desalentadoramente, um mundo em profundo desequilíbrio.

O que era não é mais e o que será ainda não é. Saltamos de uma das margens do abismo em direção a outra e, nessa fração do tempo, temos apenas o grande vazio sob os pés.

Os postulantes do fim do mundo, alimentados pelo caldo de cultura do obscurantismo religioso, que se multiplica como cogumelo, articularam uma lógica pueril para justificar a previsão que fazem. Incluem do buraco negro no centro da galáxia a explosões solares as razões que justificariam o falso desastre que anunciam.

Falsos sinais do fim

O buraco negro do centro da Galáxia, no entanto (a maioria das galáxias deve ter um buraco negro em seu núcleo), segundo trabalhos científicos recentes, pode modular a taxa de nascimento de estrelas na Via Láctea e, assim, ter estabelecido relações ainda não evidentes com a presença da vida na Terra.

Quanto às explosões solares, de fato estamos num pico de intensidade dessas manifestações. Mas elas são absolutamente normais e ocorrem há bilhões de anos, provocadas, possivelmente, pela atuação de linhas magnéticas que atravessam o corpo do Sol e, ao longo de certo tempo, se distendem como molas gigantes, antes de romper e então liberar a energia gerada no coração da estrela.

Pastores, e outros profetas do caos, frequentemente referem-se a explosões solares, tremores de terra e vulcanismo como sinais dos céus de que os homens não se comportam bem e assim provocam a ira das divindades.

Sismos e vulcanismos, no entanto, são evidências de que a Terra está geologicamente viva e por isso mesmo gera um escudo magnético no espaço que a protege do vento solar, partículas atômicas desestruturadas que inundam o Sistema Solar após uma grande explosão.

Não fosse o escudo magnético de um planeta geologicamente vivo, o vento solar teria arrancado a atmosfera da Terra e, em consequência disso, não estaríamos aqui.

O retorno de conteúdos arcaicos relacionados ao propalado fim do mundo certamente não é obra do acaso, mas o desdobramento de obscurantismos que têm se mostrado evidentes num fundamentalismo religioso igualmente atrasado e aprisionador da inteligência e criatividade humanas.

Darwin é um embuste, os animais nasceram prontos, não houve e nem há qualquer evolução. Deus criou o Universo em uma semana e com isso toda a história está contada.

A versão mais recente do obscurantismo religioso veio do Sul escravista dos Estados Unidos, insufladora de conflitos como a sanguinária guerra do Iraque.

Há, até agora, no alardeamento do fim do mundo, a ausência de um cometa, o astro símbolo do terror medieval, para completar o quadro mórbido do convencimento. E isso só não ocorreu por muito pouco.

Foi só em fins de setembro último que uma dupla de astrônomos amadores russos descobriu um cometa rumando para o Sol e que pode vir a ser um dos mais brilhantes de todos os tempos.

O C/2012S1, ou ISON, terá máxima aproximação da Terra em 28 de novembro de 2013 e poderá (cometas são astros imprevisíveis, pelo fato de ainda conhecermos relativamente pouco sobre eles) ser visto a olho nu mesmo durante o dia.

No sábado, 22 de dezembro, como ao longo das infinitas manhãs da Terra, quando mais uma vez o Sol elevar-se como um rubra moeda incandescente no horizonte leste, aqueles que temeram algo tão tolo e imbecil quanto a ideia de um iminente fim do mundo talvez se ruborizem de constrangimento.

Mas em pouco tempo a história cairá no esquecimento, como acontece com praticamente todas as histórias. Mesmo o esquecimento, no entanto, não apagará para homens mais lúcidos do futuro que, um dia, já na segunda década do século 21, boa parte da humanidade temeu pela sobrevivência da Terra por obra de um discutível calendário maia e a esperteza doentia de um grupo de farsantes em escala global.

Ainda que, antes disso, o astrônomo e divulgador da ciência Carl Sagan, na sua obra mais pessimista e que dá título a este artigo, tenha prevenido para essa possibilidade de limitação da ciência.

***

[Ulisses Capozzoli é jornalista, editor-chefe Scientific American Brasil]

Aquecimento global: ação humana? Artigo de Domingos SL Soares

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O aquecimento global, i.e., o aquecimento generalizado da superfície e atmosfera terrestres no decorrer dos últimos anos é uma realidade inquestionável. Não apresentarei aqui as evidências científicas deste fenômeno, pois as mesmas são facilmente encontradas e estão solidamente estabelecidas. Não discutirei também as causas do aquecimento global. Existe uma grande controvérsia neste aspecto. Será o aquecimento causado pela evolução secular das atividades geológicas e solares, ou pelo efeito cumulativo da ação humana na produção de gases, especialmente CO2, os quais seriam responsáveis por um desequilíbrio do efeito estufa terrestre?

Diverso é o meu objetivo. Apresentarei evidências quantitativas simples para a justificativa da negação da ação humana como responsável pela atual catástrofe por que passa a humanidade. É óbvio que a atividade predatória da humanidade na destruição e contaminação do meio ambiente deve ser reduzida a qualquer custo. Mas não se pode de imediato debitar a esta atividade o aquecimento global. Ou, dito de outra forma: existem razões paupáveis para duvidarmos de que a ação humana seja a grande vilã no fenômeno do aquecimento global. Utilizarei a simples física do ensino médio e alguns dados da bibliografia relevante para mostrar através de alguns números que a ação humana é pequena quando comparada à magnitude dos outros atores envolvidos, quais sejam, o planeta como um todo, os oceanos e a atmosfera terrestre.

Efeito estufa – O efeito estufa é o aquecimento da superfície da Terra e da camada inferior da atmosfera devido à retenção da radiação infravermelha proveniente do Sol por alguns gases presentes na atmosfera. Os principais gases responsáveis pelo efeito estufa, ou gases-estufa, são os seguintes, em ordem de importância: vapor d’água, dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Estes dois últimos são muito mais eficazes que o CO2 como gases-estufa, mas as suas quantidades na atmosfera são desprezíveis quando comparadas às do vapor d’água e do CO2.

O CO2 é o único destes gases que é produzido copiosamente pelas atividades humanas. De acordo com o professor Nilton José Sousa, da Universidade Federal do Paraná, desde 1860 os seres humanos lançaram cerca de 175 Gt (1 Gt = 1 gigatonelada = 1 bilhão de toneladas) de CO2 na atmosfera (cf. http://www.floresta.ufpr.br/~lpf/efeitoestufa.html). Incidentemente, a Revolução Industrial começou na Inglaterra por volta de 1760. Então, estamos falando da produção humana de CO2 nos últimos 150 anos. Esta quantidade será pouco afetada pela produção nos primeiros 100 anos da Revolução Industrial.

A nossa hipótese de trabalho é que a ação humana sobre o aquecimento global pode ser quantificada por 175 Gt de CO2 produzidas nos últimos 150 anos. O CO2 atua tornando-se parte da atmosfera terrestre, contribuindo para o efeito estufa, e dissolvido nas águas dos oceanos gerando transformações no meio ambiente marinho. A seguir, calcularemos a massa total os oceanos e da atmosfera terrestre para fazermos uma comparação entre estas massas, e assim termos uma ideia da magnitude potencial do CO2 produzido pelas atividades humanas.

Oceanos e atmosfera – Como dito acima, o CO2 produzido pela humanidade contamina tanto os oceanos quanto a atmosfera terrestres, e lá atua com os seus efeitos danosos, especialmente o efeito estufa, no caso da atmosfera. Vamos agora calcular as massas dos oceanos e da atmosfera para vermos quão grandes elas são em comparação com 175 Gt de CO2 produzidos nos últimos 150 anos.

A massa total dos oceanos pode ser calculada pelo produto da área dos oceanos × profundidade média dos oceanos × densidade da água salgada. Sabemos que os oceanos cobrem cerca de 70% da superfície terrestre e que a sua profundidade média é de aproximadamente 4.000 metros. A densidade da água salgada é 1,03 g/cm3. A massa dos oceanos resulta então em aproximadamente 1 bilhão de Gt.

A atmosfera exerce uma pressão sobre a superfície terrestre que pode ser facilmente medida. Ela vale 101.000 Pa, onde Pa é a abreviação de pascal, a unidade de pressão no Sistema Internacional de unidades de grandezas físicas (SI). Ora, pressão é força sobre área. A força é dada pelo peso total da atmosfera e a área é a área total da superfície terrestre. O produto da pressão × área do globo terrestre é igual ao peso total da atmosfera terrestre. Do seu peso obtemos a sua massa que é aproximadamente 5 milhões de Gt.

Mais alguns números: a massa total da Terra é 6.000 bilhões de Gt e a massa total da população humana, atualmente, é igual a 7 bilhões × 70 kg, ou, 0,5 Gt.

Todas as massas discutidas acima estão listadas abaixo, expressas em gigatoneladas (Gt):

  • CO2 (150 anos): 175
  • Oceanos: 1 bilhão
  • Atmosfera: 5 milhões
  • Planeta Terra: 6.000 bilhões
  • População humana: 0,5

Todo o CO2 produzido pela ação humana nos últimos 150 anos representa 0,00002% da massa dos oceanos e 0,004% da massa da atmosfera terrestre. A população humana representa porcentagens 2 × 175 = 350 vezes menores do que estas. A massa da Terra serve para ilustrar como o problema do aquecimento global é irrelevante para o planeta em si, apesar de ser uma questão de vida e morte para a humanidade. Estes números mostram que é bastante razoável duvidar-se de que a ação humana seja a principal responsável pelo efeito. É importante ressaltar que não reivindico a demonstração de que o homem não tem influência no fenômeno, mas apenas que é razoável ter-se esta dúvida.

Curiosamente, há pouco mais de cinco anos eu fiz uma crítica a um artigo sobre o aquecimento global, publicado no JC e-mail da SBPC, que apresentava esta mesma dúvida – que agora defendo – e que na época me pareceu injustificável. O meu comentário está em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=48272 e o artigo em questão, do professor Gilberto Alves da Silva, em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=48229.

Como resolver este dilema? Ação humana ou fenômeno da evolução normal do planeta? A primeira sugestão que me ocorre é a utilização de um traçador (ou marcador) de temperatura ambiente que seja insensível à atividade humana, i.e., ao efeito estufa. A segunda é a simulação computacional de um ambiente similar ao terrestre submetido às proporções de massas semelhantes às discutidas acima.

Domingos SL Soares é professor aposentado do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais. Artigo enviado ao Jornal da Ciência, SBPC.

Veneno de Mamba-Negra como Medicamento

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Katherine Harmon, por Scientific American Brasil.
cortesia de Wikimedia Commons/Bill Love/Blue Chameleon Ventures
Imagem de mamba-negra.

Uma picada de mamba-negra (Dendroaspis polylepis) pode matar uma pessoa adulta em 20 minutos. Junto a esse veneno tóxico, porém, está uma nova classe natural de compostos que poderia ser usada para desenvolver novos analgésicos.

Batizados de “mambalginas”, esses peptídeos bloqueiam a dor aguda e inflamatória em ratos tão bem quanto a morfina, de acordo com um novo estudo.

Pesquisadores, liderados por Sylvie Diochot do Instituto de Farmacologia Molecular e Celular da Nice University em Sophia Antipolis, na França, purificaram os peptídeos do veneno e definiram a estrutura do composto. Em seguida eles conseguiram testar as mambalginas em ratos que tinham várias alterações genéticas em suas rotas de dor. Diochot e seus colegas descobriram que as mambalginas funcionam bloqueando um conjunto, até então ignorado, de canais iônicos neurológicos associados a sinais de dor. As descobertas foram publicadas on-line em 3 de outubro, na Nature (Scientific American é parte do Nature Publishing Group).

Como bônus, as mambalginas não apresentaram o arriscado efeito colateral da morfina – a depressão respiratória. Com o passar do tempo, os ratos apresentaram uma tolerância muito menor aos compostos do que aquela que é típica da morfina e pede doses cada vez maiores com efeitos cada vez mais reduzidos.

cortesia de Wikimedia Commons/Tad Arensmeier
Imagem da boca de mamba-negra.

Experimentos com os compostos recém-descobertos também podem ajudar pesquisadores a aprender mais sobre os mecanismos da dor. Como os pesquisadores apontaram em seu artigo, “compreender melhor a dor é essencial para desenvolver novos analgésicos. Os peptídeos da mamba-negra descobertos aqui têm o potencial de atingir esses dois objetivos”.

Venenos de muitas outras espécies animais, incluindo aranhas, escorpiões, formigas e até caracóis também foram estudados por seu potencial analgésico.

Os pesquisadores alertam, porém, que as pessoas não devem tentar extrair esse veneno da Natureza. O soro antiofídico para a picada de mamba-negra existe, mas nem sempre está disponível; e sem ele as mordidas normalmente são fatais. Essas serpentes podem se mover a velocidades de até 20 quilômetros por hora e crescer até 4,4 metros de comprimento.

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